Início Destaque Pouco mais de dois milhões de moçambicanos estão infectados pelo HIV

Pouco mais de dois milhões de moçambicanos estão infectados pelo HIV

Estima-se que 2.3 milhões de pessoas estejam infectadas pelo HIV em Moçambique, colocando o país entre os 8 mais afectados pela epidemia no Mundo.

Em 2016, o país iniciou com a abordagem do “Testar e Iniciar”, respondendo as metas 90-90-90, onde até 2020, 90% de pessoas vivendo com HIV devem conhecer o seu seroestado, 90% de pessoas diagnosticadas sejam tratadas e permaneçam em tratamento com antiretroviral e 90% de pacientes em tratamento com antiretroviral alcancem a supressão viral.

Ainda em 2016 foi lançada, pela ONUSIDA, a nível global, a campanha Indetectável igual a Intransmíssivel (I=I), após evidência em quatro grandes estudos realizados de 2007 a 2016, entre milhares de casais sero-discordantes que comprovam que uma pessoa que vive com o HIV cumprindo com o tratamento antiretroviral, ou seja, tomando os seus medicamentos todos os dias,  tem a sua carga viral indetectável e o vírus deixa de ser transmitido para outra pessoa através de relações sexuais.

Estes dados foram apresentados esta sexta-feira 10, em Maputo, pelo Ministro da Saúde, Armindo Tiago, durante o lançamento da campanha indetectável é igual à intransmissível(I=I)

Entretanto, no âmbito das metas globais propostas pela ONUSIDA e com as quais o Moçambique está comprometido, dados do Spectrum, modelo de estimativas relacionadas ao HIV/SIDA indicam que até Março de 2020, de 2,3 milhões pessoas que vivem com o HIV em Moçambique, 74% conhecem o seu seroestado, das que conhecem o seu seroestado 52% beneficiam gratuitamente do tratamento antiretroviral nas nossas unidades sanitárias e somente 40% alcançam a supressão viral.

Segundo Armindo Tiago, estes resultados devem chamar a atenção de cada um de nós, pois mostram que devemos continuar a trabalhar, de forma acelerada, para que todas as pessoas que vivem com o HIV sejam diagnosticadas, iniciem e mantenham-se em tratamento, de modo a a alcançarmos o controlo desta epidemia.

O conceito de que alguém vivendo com HIV que está em tratamento e com supressão viral, não pode transmitir o vírus para um parceiro sexual é um avanço extraordinário na resposta global a epidemia do HIV.

Este avanço só pode produzir benefícios individuais e colectivos se todos e em particular as pessoas vivendo com HIV tiverem a consciência disso e fizerem a sua parte.

A Campanha Indetectável=Intransmissível será acompanhada por programas e spots televisivos e de rádio, abordagens de educação e literacia dos pacientes nas unidades sanitárias e nas comunidades e divulgação de materiais para a literacia das pessoas vivendo com HIV incluindo as lideranças comunitárias, como autocolantes nos autocarros, panfletos, e posters nas comunidades  em todas as províncias deste País.

“O contributo de cada um de nós é fundamental para que mensagens correctas sejam passadas para a melhoria do acesso, retenção aos cuidados de saúde e adesão dos pacientes ao tratamento antiretroviral, tendo como objectivo final o controle da epidemia do HIV no nosso País“- disse o Ministro da Saúde, Armindo Tiago.