O director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse na sexta-feira (13) que a Europa, e não a China, é neste momento o epicentro da pandemia de coronavírus.
“Neste momento, estão a ser registados na Europa mais casos todos os dias do que os reportados na China, no auge da sua epidemia”, disse Ghebreyesus, em declarações aos jornalistas, em Genebra.
O diretor da OMS disse que, em todo o mundo, mais de 5000 pessoas perderam já a vida, “um marco trágico”, como resultado do surto do novo coronavírus.
Mais de 135 mil pessoas foram infetadas em todo o mundo, a maioria na China, onde mais de 3000 pessoas morreram e mais de 62 000 já recuperaram.
Na conferência de imprensa, Maria Van Kerkhove, responsável pelas doenças emergentes da OMS, disse que não era possível prever como é que a pandemia vai desenvolver-se. “É impossível dizer quando é que vai atingir o pico global”, admitiu a responsável numa altura em que vários país da Europa adoptaram medidas drásticas para conter a propagação do novo vírus. Em Itália, por exemplo, todo o país está de quarentena, e Portugal está em estado de alerta, tendo sido decretado o fecho de escolas, discotecas e bares, entre outras medidas.
O director-geral da OMS afirmou que estas medidas podem ajudar, mas enfatizou que os países precisam de adoptar “uma abordagem abrangente”. Tedros Ghebreyesus destacou a necessidade de se fazer mais para “detectar, proteger e tratar” dos casos de infecção.
“Não se pode combater um vírus se não se souber onde ele está”, afirmou, pedindo aos países para “encontrar, isolar, testar e tratar todos os casos, para romper com as cadeias de transmissão”.
Explica que a situação que hoje se verifica na Europa poderá ser replicada, pelo que os países se devem concentrar em medidas assertivas: diagnosticar casos, acompanhar familiares ou impor medidas de distanciamento social.
Contudo, Ghebreyesus diz que as medidas devem ser tomadas “todas de uma vez”, incluindo o isolamento de pessoas contaminadas.
O responsável da OMS deu os exemplos da Coreia do Sul, Singapura e da própria China, onde, além das medidas tomadas, houve uma “importante mobilização social, que salvou muitas vidas”.
E deixou um aviso: “Qualquer país que analisa a experiência de outros países com grandes epidemias e pensa que ‘isto não vai acontecer connosco’ está a cometer um erro mortal”.
O director-geral da OMS apresentou ainda um novo fundo de solidariedade que espera atrair doações do sector privado, entidades filantrópicas e outras organizações e pessoas, para adicionar aos fundos da organização, fruto de doações dos estados membros.















