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Líder da oposição diz que democracia está ameaçada em Moçambique

O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade disse, durante uma visita à Holanda na quarta-feira (04), que a democracia está ameaçada em Moçambique.

“Estamos aqui na Holanda para procurar parcerias e alertar o mundo de que a democracia se encontra ameaçada [em Moçambique] e com risco de regredirmos, o que seria mau para o bem-estar dos moçambicanos”, referiu em comunicado.

O líder do maior partido da oposição acrescentou que “o fim da democracia não é um problema só da Renamo” : “O fim da democracia em Moçambique vai ser [seria] um recuo para toda a sociedade. Por isso temos este compromisso de continuar a trabalhar para que a democracia não pare”.

“Não podemos deixar que um partido político faça tudo o que quiser no país”, sublinhou Ossufo Momade, numa referência à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde a independência e que viu a liderança reforçada nas eleições de 15 de Outubro.

O dirigente da Renamo iniciou na segunda-feira (02) uma visita de trabalho à Holanda, acompanhado por quadros seniores do partido, membros da comissão política e deputados.

A visita acontece enquanto se espera pelo acórdão do Conselho Constitucional (CC) de Moçambique acerca dos resultados das eleições gerais, que a Renamo rejeitou, alegando fraude generalizada, remetendo uma posição para depois da declaração final do CC, que deverá ser conhecida nos próximos dias.

Pelos Países Baixos, Ossufo Momade já visitou o Instituto Holandês para a Democracia Multipartidária, o parlamento e esteve reunido com representantes do comissão de eleições daquele país.

Deverá ainda manter encontros com representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros, partidos políticos, gestores municipais e académicos, acrescenta o comunicado.

Ossufo Momade defende que “a desmobilização dos militares é uma prioridade para a Renamo”, pedindo que cada antigo guerrilheiro tenha a oportunidade de “voltar para casa com dignidade”.

“Este é um processo que requer muita paciência e atenção, por isso, insistimos que os nossos homens devem estar enquadrados em todos os ramos das Forças de Defesa e Segurança”, reiterou.

Entre eles inclui o SISE, a secreta moçambicana, “pois é lá onde são feitas manobras que desestabilizam o país, como são os casos de perseguições de membros dos partidos políticos, da sociedade civil, manobras eleitorais, entre outras”, referiu Momade.

Ossufo Momade voltou também a distanciar-se das incursões militares que têm estado a afectar a região Centro do país, atribuídas a guerrilheiros dissidentes da Renamo, chefiados por Mariano Nhongo.

“Essas pessoas estão a agir por conta própria. A Renamo continua focada na implementação dos acordos assinados no âmbito da desmilitarização, desarmamento e reintegração”, concluiu.

As medidas fazem parte do acordo de paz assinado em 6 de Agosto por Ossufo Momade e Filipe Nyusi, Presidente moçambicano.

Lusa