O Governo chinês acusou os manifestantes de Hong Kong de tentarem derrubar o governo local para assumirem o controlo da cidade e transformá-la numa “entidade independente”, de onde poderão “operar contra” as autoridades de Pequim.
“Eles querem causar instabilidade no governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong e usurpar os seus direitos para fazer de Hong Kong uma entidade política independente ou semi-independente”, acusou Yang Guang, porta-voz do Gabinete para Assuntos de Hong Kong do Conselho de Estado chinês.
Em conferência de imprensa, Yang acusou os manifestantes de “quererem exercer plena autoridade na região de Hong Kong e trabalharem contra o Governo chinês”.
“Está na hora de defender o princípio ‘um país, dois sistemas’ [a fórmula que garante alto grau de autonomia a Hong Kong], a paz e a estabilidade em Hong Kong”, disse.
O porta-voz descreveu os protestos como actos de “intimidação e sequestro político”.
Yang elogiou ainda os chineses radicados além-fronteiras que demonstram o seu apoio ao Governo chinês – manifestações na Austrália ou Canadá resultaram em confrontos entre manifestantes pró-Pequim e grupos pró-democracia em Hong Kong.
O porta-voz do Governo central defendeu que, para “amar Hong Kong, é preciso defender o princípio ‘um país, dois sistemas’ e trabalhar contra aqueles que o desafiam”.
“Devemos levar à justiça criminosos e, em particular, quem planeia e organiza. Todos devemos agir agora. Ninguém escapará da Justiça”, afirmou.
Face à possibilidade de o Executivo de Hong Kong pedir ajuda às tropas chinesas estacionadas em vários quartéis na cidade, Yang lembrou que “as instituições chinesas em Hong Kong, incluindo o exército, representam a dignidade e soberania do Governo central”.
“É algo que não pode ser questionado de forma alguma”, acrescentou.
Sobre as alegações das autoridades chinesas de que os protestos em Hong Kong são uma “revolução colorida” instigada por forças estrangeiras, Yang respondeu que se trata de algo “cada vez mais óbvio”, apontando que “alguns manifestantes entoam slogans que pedem a independência de Hong Kong e uma aliança com os Estados Unidos e o Reino Unido”.
Hong Kong vive um clima de contestação social, desde o início de junho, desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.
A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades” na antiga colónia britânica, enquanto pedem a demissão da chefe do Executivo, Carrie Lam, a retirada definitiva da emenda à lei, um inquérito independente à intervenção policial, a libertação dos detidos nos protestos e que estas acções não sejam consideradas motins.
Notícias ao Minuto















