De uniforme azul ou vermelho os pacientes destacavam-se nos bancos do Hospital Provincial da Matola. Enquanto uns “inundavam” as triagens outros “entrincheiravam-se” na farmácia.

O denominador comum é que todos vinham da empresa “darling” localizada no parque Industrial de Beluiluane em Boane, onde foram vítimas de uma substância química até aqui não identificada.

Tossiam sem parar, as vozes estavam rocas, havia nervosismo nos pacientes. Substância química volátil não identificada é que esta na origem dos problemas respiratórios e desmaios. É recorrente a ocorrência de desmaios e intoxicações naquela empresa que produz cabelos artificiais.

Uma jovem encostada a um dos pilares da farmácia, esforçava-se em dizer algo mas a voz não saia.

O serviço de urgência do Hospital Provincial da Matola confirmou a entrada dos pacientes vítimas de intoxicação. O Director substituto do Serviço de Urgência disse que “dos pacientes que recebemos, oito foram encaminhados a maternidade por estarem grávidas, doze encontram-se na sala de observações sob cuidados médicos e os restantes tiveram alta. Os que estão em observação encontram-se todos estáveis e não há riscos de perda de vida”.

Na Direcção Provincial de Trabalho Emprego e Segurança Social em Maputo através da inspecção provincial do trabalho já tomou conhecimento do incidente e já destacou equipas para o terreno e salienta que é um caso que precisa de uma investigação multissectorial e profunda.

“Diligências estão sendo realizadas para perceber as razões da frequência destes desmaios nesta empresa. Há indicações segundo a própria empresa, que o facto deve-se a inalação de substâncias que são trazidas pelo ar proveniente duma empresa vizinha. Esta situação precisa de uma investigação técnica e minuciosa. Daí que envolveremos de todas as entidades com competência técnica para o fazer. Solicitaremos o nosso laboratório de saúde ocupacional para também envolver-se nesta investigação que nos preocupa”.

No parque industrial de Beluluane no Distrito de Boane, onde funciona a empresa Darling, não foi permitida a entrada de jornalistas pelos seguranças, que disseram que tinham orientações claras para impedir a presença da imprensa naquele local. Aliás na cancela alguns carros eram sujeitos a revista alegadamente porque os jornalistas podiam entrar disfarçados.

Em Novembro do ano passado, dezenas de trabalhadoras desta empresa, também deram entrada em vários hospitais da Matola, vítimas de intoxicação causada pela mesma substância.

O País