O Presidente Filipe Nyusi vai à Assembleia da República de Moçambique prestar informação sobre a actual situação do país. Violência armada e projectos de gás natural devem estar entre os temas.

Filipe Nyusi, que assumiu a Presidência da República de Moçambique em Janeiro de 2015, vai prestar a informação sobre a situação geral da país, em cumprimento de um imperativo que a Constituição da República impõe ao chefe de Estado. Será o seu último discurso sobre o Estado da Nação no actual mandato, que termina em Janeiro de 2020.

No documento que vai ler nesta quarta-feira (31), no Parlamento, onde a maioria dos deputados é do partido no poder, espera-se que o chefe de Estado moçambicano se refira à violência armada que assola alguns distritos da província de Cabo Delgado protagonizada por grupos até agora desconhecidos.

No plano económico, os investimentos anunciados este ano para o arranque dos projetos de gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma, norte do país, serão também tema central na informação sobre a situação geral da nação.

A informação não é sujeita a perguntas dos deputados, desde que a interpelação ao chefe de Estado pelos parlamentares foi abolida no país por razões que nunca foram explicadas.

Desmobilização da RENAMO

O Presidente vai dirigir-se ao país, a partir da sede do parlamento em Maputo, três dias após o início voluntário do Desarmamento, Desmobilização e Reintegração dos guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), principal partido da oposição.

O DDR resulta dos entendimentos entre o Governo e a liderança da Renamo, no âmbito das negociações de paz, a principal causa que Filipe Nyusi assumiu no seu discurso de tomada de posse em Janeiro de 2015.

Na altura, Filipe Nyusi prometeu “tudo fazer” para que “nenhum irmão moçambicano volte a pegar em arma para matar outro irmão moçambicano”.

Filipe Nyusi é candidato às eleições presidenciais de 15 de Outubro pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), partido no poder, que vão decorrer em simultâneo com as legislativas e assembleias provinciais, que pela primeira vez vão eleger governadores das 10 províncias do país.

DW