Cerca de 9 mil camponeses do distrito de Mocímboa da Praia, norte da província de Cabo Delgado, abandonaram suas machambas da campanha agrícola 2018/2019 devido aos ataques armados que não cessam desde o ano 2017.

Como consequência, segundo dados dos Serviços distritais das actividades económicas, a produção reduziu para quase a metade do que estava planificado, uma vez que foram abandonados cerca de 13 dos 33 mil hectares de áreas de produção planificadas para  ultima época agrícola.

“Esperamos colher menos de 90 mil toneladas de produtos agrícolas diversos, contra cerca de 150 mil planificados na presente campanha”, confirmou Neves Salaova, director distrital de actividades económicas de Mocímboa da Praia.

De acordo com a fonte, o milho, arroz, mandioca e castanha de caju, são algumas das culturas que os camponeses deixaram para trás, ao abandonarem suas casas e alguns bens, nas zonas consideradas de alto risco aos ataques dos insurgentes.

A insegurança na região está a dificultar os serviços de extensão agrária, que reduziu o raio de cobertura de assistência.
Segundo revelou Neves Salaova “os extensionistas vão ao terreno a medida que alguns camponeses vão regressando para as suas aldeias e machambas.

A situação é considerada crítica e poderá evoluir para um nível dramático caso medidas urgentes não forem oportunamente tomadas, para evitar que a insegurança que se vive na região norte de Cabo Delgado, comprometa a segurança alimentar da população.

Para minimizar o impacto provocado pelo deslocamento da população, o sector de agricultura está a massificar a produção de hortícolas nos quintais das aldeias e vilas localizadas nas zonas consideradas seguras.

“Estamos a promover a horticultura caseira na vila de Mocímboa da Praia e em algumas aldeias onde estão concentrados alguns camponeses e há disponibilidades de água. Hoje, a maior parte dos vegetais vendidos nos mercados, vem dos quintais, e não dos grandes campos de produção do distrito”, disse, Salaova.

Actualmente, milhares de camponeses vivem nas cidades e vilas, onde são acolhidas pelas famílias, amigos e pessoas de boa vontade, que além de abrigo, esforçaram se para alimentar os deslocados dos ataques armados.

O País