O Irã acusou na terça-feira (25) o governo dos Estados Unidos de fechar de forma permanente a via diplomática e de mentir sobre sua intenção de negociar, um dia depois do anúncio de novas sanções americanas.

Ao mesmo tempo que aumentou a pressão em um contexto já muito tenso após os ataques contra petroleiros e a destruição de um drone americano pelo Irã na região estratégica do Golfo Pérsico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez apelos ao diálogo.

Na segunda-feira (24), Trump anunciou sanções contra o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e o chefe da diplomacia, Mohamed Javad Zarif, a face da política iraniana de distensão com o Ocidente, considerado um moderado e odiado pelos ultraconservadores iranianos.

“Ao mesmo tempo que pedem negociações, eles tentam punir o ministro das Relações Exteriores. É evidente que mentem”, declarou o presidente iraniano, Hassan Rohani.

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Abbas Musavi, afirmou que “impor sanções estéreis contra o guia supremo do Irã e o chefe da diplomacia iraniana é (o mesmo que) fechar de maneira permanente a via da diplomacia”.

O secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin, explicou que as sanções pretendem congelar “bilhões de dólares” de activos do país e afirmou que Zarif seria incluído na lista de sanções económicas esta semana.

“Problemas mentais”

“Sanções, para quê?”, questionou Rohani. “Para congelar os activos do líder? Mas nossos dirigentes não são como os dos outros países que têm bilhões em suas contas no exterior para que vocês possam impor sanções”. “Esta Casa Branca sofre de problemas mentais. Não sabe o que fazer”, completou o presidente iraniano.

Irã e Estados Unidos romperam as relações diplomáticas em 1980, depois da Revolução Islâmica e da tomada de reféns na embaixada americana em Teerã. Uma aproximação aconteceu durante o governo de Barack Obama, com a conclusão em 2015 de um acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

Com o acordo, Teerã se comprometeu a não produzir armamento atômico e a limitar drasticamente seu programa nuclear, em troca da suspensão de parte das sanções internacionais.

Após sua chegada ao poder, Trump decidiu retirar Washington de forma unilateral do acordo e restabelecer as sanções económicas.

Apesar das medidas punitivas, o conselheiro de Segurança Nacional americano John Bolton afirmou durante uma visita a Israel, outro país inimigo do Irã, que a porta segue aberta para “verdadeiras negociações” com Teerã. Ao mesmo tempo criticou o que chamou de “silêncio ensurdecedor” dos iranianos ante a proposta de diálogo.

Diante do temor de um confronto entre os países, o Conselho de Segurança da ONU pediu “diálogo”. França, Alemanha e Grã-Bretanha, países signatários do acordo nuclear com o Irã, defenderam a busca por alternativas para reduzir a tensão. A China fez um apelo por “sangue frio”.

Um dia depois da destruição do drone, Trump afirmou que cancelou no último momento ataques contra o Irã. A imprensa americana, no entanto, informou que o presidente autorizou uma série de ciberataques contra sistemas de lançamento de mísseis e uma rede de espionagem iraniana.

No dia do anúncio das novas sanções, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, fez visitas oficiais aos Emirados Árabes Unidos e Arábia, dois países produtores de petróleo aliados de Washington e grandes rivais regionais de Teerã.

Os ataques contra petroleiros, em maio e Junho – que Washington atribui a Teerã e que o regime iraniano nega – e a destruição do drone perto do Estreito de Ormuz, ponto de passagem crucial para o comércio mundial do petróleo, provocaram a disparada das cotações do combustível e o temor sobre o transporte de petróleo por esta via marítima.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança deve se reunir para examinar a aplicação do acordo nuclear iraniano. As divergências devem aumentar, pois o Irã anunciou que suas reservas de urânio enriquecido devem superarão a partir de quinta-feira o limite previsto no pacto.

Até o momento, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificou que o Irã respeita os compromissos assumidos no acordo de 2015.

Metrópoles