Uma organização não-governamental (ONG) nacional resgatou uma menor que havia sido entregue pelos pais para um casamento forçado, como forma de pagar uma dívida familiar, disse à Lusa fonte da instituição.

“O pai entregou a menina aos nove anos para saldar a sua dívida de bebida a um comerciante e, quando soubemos, começámos uma luta na justiça para desfazer o casamento e resgatámo-la com sucesso”, conta Cecília Ernesto, dirigente da Levanta Mulher e Siga o seu Caminho (Lemusica).

O caso aconteceu em Sussundenga, na província de Manica.

A Lemusica resgatou outras quatro raparigas de casamentos forçados nos primeiros três meses de 2019, na província de Manica, onde a organização actua.

No total, a ONG já livrou 250 raparigas de casamentos forçados, desde 2016, geralmente envolvendo homens quatro ou cinco vezes mais velhos, na maioria dos casos devido a pressões económicas na família.

A responsável explicou que as meninas resgatadas são inscritas na escola, recebem apoio psicossocial e envolvidas em actividades profissionalizantes para sua integração na sociedade.

Moçambique possui uma das taxas de casamentos prematuros mais elevadas do mundo, afectando uma em cada duas raparigas, e a segunda maior taxa de casamentos prematuros da África Austral, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)

Jornal Notícias