Destaque Hermínio Morais é o novo candidato da Renamo para Maputo

Hermínio Morais é o novo candidato da Renamo para Maputo

A Renamo veio a público esta quarta-feira (19) conformar-se com o acórdão do Conselho Constitucional que rejeita a candidatura de Venâncio Mondlane como cabeça de lista do seu partido na cidade de Maputo, mas deixou claro que não concorda com o posicionamento daquele órgão.

O mandatário do partido, André Magibire, reiterou numa conferência de imprensa que a Renamo interpôs recurso porque a deliberação da Comissão Nacional de Eleições (CNE) em relação ao afastamento de Venâncio Mondlane tinha como base uma reclamação de uma pessoa ilegítima, no caso vertente o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Magibire considerou, igualmente, que Venâncio Mondlane foi afastado da corrida eleitoral em violação da Constituição por ter renunciado a um mandato como membro da Assembleia municipal para se tornar deputado do Parlamento.

Mudança com impacto

O mandatário da Renamo anunciou que perante a recusa da Comissão Nacional de Eleições e do Conselho Constitucional, o partido decidiu que “o número dois pela cidade de Maputo, que é o general Hermínio Morais, passa a ser cabeça-de-lista”.

André Magibire admite que esta mudança poderá ter um impacto na forma como o partido estava a preparar-se para as eleições, sublinhando que Venâncio Mondlane goza de muita popularidade.

“Torna-se mais frustrante ainda quando nós sabemos que isso é fruto de uma perseguição”.

Conhecidos candidatos de outros partidos

A mudança do cabeça de lista da Renamo na cidade de Maputo acontece numa altura em que já são conhecidos os candidatos dos outros partidos e está em curso a pré campanha eleitoral. Mas André Magibire desdramatiza afirmando que “para os munícipes de Maputo, o general Hermínio Morais já é sobejamente conhecido. É verdade que teremos que redobrar os esforços”.

Para o mandatário da Renamo constitui, igualmente, uma vantagem para o seu partido o facto das formações políticas concorrentes aparecem em primeiro plano no boletim de voto, num contexto em que os munícipes de Maputo conhecem a Renamo.

O novo cabeça de lista, Hermínio Morais é um antigo guerrilheiro da Renamo actualmente com a patente de Major General na Reserva. Participou nas negociações que culminaram com a assinatura do Acordo de Paz em Roma em 1992 e na formação do exército unificado. Já fez parte do Conselho Nacional de Defesa e Segurança e recentemente foi nomeado Administrador não Executivo da Empresa Estatal de Petróleos, Petromoc.

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Preparado para um novo desafio

Hermínio Morais afirma estar preparado para o novo desafio.

“Encontro-me preparado desde o princípio, uma vez que faço parte da lista (dos membros a Assembleia Municipal) e cabe a todos os membros dessa lista fazerem um trabalho árduo e preciso em conjunto de forma a vencermos o município de Maputo”.

Questionado se não sairia prejudicado com a apresentação tardia, afirmou que “nós sempre trabalhamos juntos, eu e o Venâncio, e os ideais do Venâncio são os ideais da Renamo e os ideais da Renamo são os ideais de todo o munícipe de Maputo”, destacou Morais.

Por seu turno, Venâncio Mondlane foi indicado como porta-voz da campanha eleitoral da Renamo na cidade de Maputo.

Mondlane comentou o seu afastamento pelo Conselho Constitucional considerando ter sido uma pena que um órgão com a vocação de ser o último recurso para aspectos da estabilidade jurídico-constitucional do país se tenha furtado em entrar em matéria de fundo e de substância.

“Acho que é uma pena porque era uma oportunidade de se fazer uma pedagogia para uma situação em que estava a sociedade dividida na interpretação da norma em si, esse é o primeiro aspecto. Segundo, o que vou dizer é apenas uma mensagem para os maputenses: penso que esta é uma oportunidade de todos nos juntarmos para que de uma vez por todas possamos resgatar esta cidade”.

Um outro concorrente à cabeça de lista na cidade de Maputo, cuja candidatura foi rejeitada, Samora Machel Júnior, considerou que as decisões tomadas pelo Conselho Constitucional e a Comissão Nacional de Eleições que culminaram com o seu afastamento da corrida eleitoral “privam muitos milhares de munícipes de expressarem de forma livre e espontânea a sua opinião, o seu direito de fazer parte de um processo em que pudessem contribuir para a melhoria das suas vidas”.

DW

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