Enfermeiros de diversas especialidades afectos nas unidades sanitárias de Niassa voltaram a queixar-se da elevada carga horária, devido ao reduzido número de profissionais para atender cerca de 1.3 milhões de habitantes da província.

A preocupação foi apresentada durante as cerimónias do Dia Internacional do Enfermeiro, que se celebra todos os anos a 12 de Maio.

Este ano, as entidades governamentais a vários níveis saudaram os profissionais de enfermagem pelo empenho na luta contra doenças endémicas, sobretudo pelo facto de Niassa não ter registado nenhum caso de cólera.

Dados recolhidos pela nossa Reportagem indicam a redução significativa do número de óbitos por doenças de origem hídrica, nomeadamente diarreias e malária, ao se situar nos 66 por cento, para além da elevada cobertura de partos institucionais de 86,7 para 96,8 por cento, números que reflectem os esforços empreendidos pela Saúde, sobretudo na sensibilização da população para aderir aos programas sanitários.

Uma mensagem dos enfermeiros, apresentada pela respectiva secretária provincial, Maria Lídia Valoi, indica que na província de Niassa trabalham 756 enfermeiros de diversas especialidades, cifra que não satisfaz as necessidades da população daquele ponto do país.

Apelou na ocasião para que governo aloque mais enfermeiros para darem resposta à demanda que se regista nas unidades sanitárias.

Numa das passagens, a mensagem enaltece o engajamento dos enfermeiros na redução dos casos de doenças que mais preocupam a província, nomeadamente a cólera, diarreias, malária, entre outras enfermidades de origem hídrica, para além do tratamento das doenças crónicas, com destaque para o HIV/SIDA que, a par da malária, é uma das doenças que causa muitos óbitos e internamentos nas unidades sanitárias do país.

Os enfermeiros lamentaram algumas das situações por que passam nos seus locais de trabalho, apelando o governo a defender os direitos da classe que, segundo Maria Lídia Valoi, não estão a ser convenientemente respeitados.

Por sua vez, o governador de Niassa, Arlindo Chilundo, reconheceu que a missão de salvar vidas humanas exige paciência, tolerância, carisma e, sobretudo, vocação, razão pela qual juraram curar todos os pacientes, sem olhar o seu estrato social e político.

Explicou que não existe compensação ao trabalho de um enfermeiro, ao mesmo tempo que apelou a classe a distanciar-se das cobranças ilícitas em troca de tratamento sanitário ou a prática de outros males que mancham esta nobre profissão.

É preocupante constatar que alguns profissionais da Saúde desviam fármacos e emitem receitas onde são prescritos medicamentos a pacientes inexistentes para os desviarem mais tarde”, lamentou Arlindo Chilundo, para quem aquele comportamento não só periga a saúde da população, como também representa delapidação dos parcos recursos financeiros do Estado.

Alertou que tal prática incorre em medidas disciplinares, que podem prejudicar o futuro do funcionário, sua família e a comunidade que perde um funcionário público competente e formado através dos recursos do erário público.

Jornal Notícias