A reunião que começa hoje, quarta-feira, 4 de Junho, vai decorrer em Tete. O presidente do Conselho Provincial da Juventude em Tete é, cumulativamente, um dirigente da Polícia de Investigação Criminal. Chama-se Tilso Foia e é chefe do departamento da PIC contra Crimes de Corrupção e Desvio de Bens e Fundos do Estado.

As Ligas Juvenis dos partidos Renamo e MDM (Movimento Democrático de Moçambique) anunciaram que não vão participar na reunião da IV Assembleia-Geral do Conselho Nacional da Juventude (CNJ) que tem início hoje, quarta-feira, 4 de Junho, e termina no dia 8 de Junho, na cidade de Tete.

As duas ligas juvenis, que também fazem parte do CNJ, evocam motivos de falta de seriedade por parte do CNJ na organização do evento, o qual, entre outros pontos da agenda, pretende eleger novos órgãos de direcção.

Dizem que não tiveram acesso ao programa e que os convites para apresentação de candidaturas lhes foram endereçados por via de mensagens (SMS) e em cima da hora.
A actual direcção de Oswaldo Petersburgo não vai renovar o mandato, por ter manifestado a intenção de não se candidatar, embora tenham sido evocadas, por fontes independentes, razões de protesto contra o elenco de Petersburgo como sendo o motivo principal.

A presidente da Liga Juvenil da Renamo, Ivone Soares, disse ao Canalmoz que a sua organização não vai participar na reunião, porque não teve convite formal do CNJ, para além da realização do encontro não ser oportuna, tendo em conta que os partidos políticos estão a movimentar-se com vista às eleições gerais e presidenciais de 15 de Outubro deste ano.

Segundo Ivone Soares, a Liga da Juventude da Renamo, a todos os níveis, está empenhada em divulgar a candidatura de Afonso Dhlakama para Presidente da República de Moçambique.

“As suas atenções estão na recolha de assinaturas dos eleitores em apoio ao seu candidato, preparação ainda das eleições legislativas e para as Assembleias Provinciais, que terão lugar a 15 de Outubro de 2014”, disse Ivone Soares.

“Como membros fundadores do CNJ, gostaríamos de ter sido consultados sobre a melhor data para a realização da assembleia-geral, o local e o mês, e não recebermos convites via SMS”, explicou. 

A Liga da Juventude da Renamo declara que, para uma participação dinâmica, informada e produtiva de todos os jovens no evento, gostaria também de ter tido acesso, com a devida antecedência, aos relatórios de actividades, contas e resultados de auditorias eventualmente feitas aos projectos financiados pelas agências das Nações Unidas e outras fontes de financiamento do CNJ.

Por sua vez, o chefe do Departamento de Informação do MDM em Maputo, Luís Job Muthombene, disse que a Liga Juvenil daquele partido também não vai participar na assembleia-geral do CNJ, evocando motivos similares aos que foram apresentados pela Renamo.

Segundo Muthombene, o evento está prenhe de desorganização e falta de clareza sobre a gestão do CNJ, que contribuíram para que o Conselho Nacional da Juventude do MDM não tomasse qualquer decisão com vista à sua participação.

A fonte do MDM acrescentou que, neste momento, os jovens daquele partido estão empenhados na organização das eleições.

Para além da Renamo e do MDM, cujas Ligas Juvenis têm representações em quase todo o país, outros grupos associativos filiados no CNJ manifestaram as suas preocupações quanto à forma como o evento está viciado pela Organização da Juventude Moçambicana (OJM), braço juvenil da Frelimo.

Acusam a OJM de ir em vantagem a esta assembleia-geral, apontando que vai estar representada com mais de metade dos delegados, tendo em conta os 128 delegados distritais da OJM, 128 delegados distritais dos Conselhos Distritais da Juventude, todos provenientes das fileiras do partido Frelimo, 11 delegados provinciais da OJM, 11 delegados provinciais dos CPJ e das associações afins, o que não permite a concorrência em igualdade de oportunidades e de circunstâncias na escolha dos órgãos de direcção.

O CNJ é um organismo que congrega várias associações juvenis académicas, partidos políticos e da sociedade civil.

Tanto a Renamo como o MDM acusam o Conselho Nacional da Juventude de estar a eximir-se do seu papel na defesa dos interesses da juventude moçambicana, ao agir como uma célula do partido no poder, o partido Frelimo. 

CNJ com associações fantasmas

Algumas associações juvenis filiadas no CNJ denunciam a existência de esquemas para se perpetuar na liderança do CNJ, por parte da Organização da Juventude Moçambicanos (OJM), o braço juvenil do partido Frelimo, e que actualmente compõe o corpo directivo da CNJ.

A actual direcção do CNJ é acusada de recorrer a organizações fantasmas, compostas por elementos da OJM, como forma de manter a hegemonia na liderança do organismo que tem por obrigação velar pelos interesses da juventude moçambicana.

A criação de organizações fantasmas tem em vista garantir a eleição dos membros da OJM na corrida à liderança do CNJ. Consideram que “o CNJ procura ser uma célula política que garante a propaganda política” do partido Frelimo, e que isso ficou claro no Terceiro Encontro da Juventude, segundo afirma Muelenga, tendo acrescentado que “as associações e figuras fantasmas sustentam alguns membros do CNJ”.