Está em curso na cidade de Quelimane, província da Zambézia, a preparação duma greve de cinco dias dos trabalhadores do Conselho Municipal, contra o actual presidente do CM, Manuel de Araújo.

Segundo apurou o Canalmoz, a greve está a ser preparada pelo Comité da Cidade do partido Frelimo e tem como alvo o presidente do Conselho Municipal.

Segundo as fontes do próprio partido Frelimo, que falaram na condição de anonimato, o motivo para a greve vai ser a exigência do pagamento do 13o vencimento respeitante a três anos, que, segundo consta, foi suspenso por Manuel de Araújo.

A greve, ainda segundo avançam as nossas fontes, vai consistir na paralisação das actividades de recolha de lixo e de realização de funerais no cemitério municipal. As nossas fontes não divulgaram a data da greve, mas disseram que a mesma está sendo preparada para ser levada a cabo a qualquer momento, e que o próprio presidente do Conselho Municipal não tem conhecimento, porque pretendem apanhá-lo de surpresa.

Os promotores da greve são membros do partido Frelimo que trabalham no Conselho Municipal da cidade de Quelimane, e que, nos últimos dias, têm estado a reunir-se na sede desse partido na capital provincial da Zambézia.

Frelimo confirma

O secretário do partido Frelimo na cidade de Quelimane, John Pita, que foi contactado, confirma que tem conhecimento do assunto, o qual até já foi levantado na recente visita do Presidente da República, Armando Guebuza, à cidade de Quelimane. Pita encontra-se em Maputo a participar da reunião de quadros do partido Frelimo, que está a decorrer na escola desse partido na Matola.

John Pita afirma que tem conhecimento de que os trabalhadores estão a preparar uma greve nos termos da lei, para exigirem o que acham ser seu direito.

Pita classificou a greve como pacífica, mas disse que o seu partido não tem nada a interferir no funcionamento do município. Negou que a mesma esteja a ser preparada pelo seu partido, visando criar problemas ao presidente do Conselho Municipal, e considerou que é aceitável que os trabalhadores exijam os seus direitos.

“Temos conhecimento verbal através dos trabalhadores de que, a qualquer momento, vão entrar em greve. Inclusive este assunto foi levantado na recente visita presidencial a Quelimane”, disse John Pita ao Canalmoz.

Município sem condições para pagar o 13o vencimento

O presidente do município de Quelimane, Manuel de Araújo, diz que a suspensão do 13o vencimento há três anos deve-se ao facto de ter encontrado o município falido e sem condições para pagar esse bónus.

Manuel de Araújo disse que não tem conhecimento de que esteja em preparação uma greve visando sabotar as actividades do município.

“O 13o é um bónus que o Estado paga aos funcionários sempre que haja condições. Mas eu herdei um município falido e sem condições para pagar esse bónus”, disse Araújo, esclarecendo: “Sem que as condições financeiras fiquem restabelecidas não vamos pagar”.

“Se querem entrar em greve ou deixarem de trabalhar, que o façam, mas a verdade é que não temos condições para pagar o 13o [vencimento]”, concluiu o presidente do Conselho Municipal de Quelimane.