A primeira dama de Moçambique, Maria da Luz Guebuza, condenou todos os hábitos culturais que estimulam a prática de queimadas, na maioria dos casos descontroladas, usadas por algumas populações rurais e que acabam devastando milhares de hectares de florestas.
Falando esta semana num encontro popular em Metarica, um distrito da província nortenha de Niassa afectado por esta prática, Maria da Luz Guebuza explicou que por causa das queimadas, derivadas por alguns hábitos culturais, o país tem estado a perder recursos de grande valor económico.
O hábito de queima de florestas no tempo seco é praticada para facilitar a caça, principalmente para a captura de “rato caniço” cuja carne é muito apreciada naquela região e não só, limpeza de campos para a agricultura, para além de casos de fogo posto que são protagonizados por pessoas mal-intencionadas.
“Não podemos permitir que extensas áreas florestais sejam devastadas apenas para facilitar a caça de ratos. Nas florestas não só temos ratazanas, como também outros animais que por causa das queimadas abandonam a zona”, disse a esposa do Presidente moçambicano.
Queimar uma floresta, segundo ela, é queimar recursos de grande valor económico. “O mesmo que queimar dinheiro”, explicou.
Maria da Luz Guebuza acrescentou que é na floresta onde podemos ir buscar a madeira para o fabrico de mobiliário diverso, plantas medicinais, e vários outros recursos.
A esposa do estadista moçambicano indicou que, por norma, mesmo a queimada que se faz para a limpeza dos campos para a agricultura, não é aconselhável porque pode empobrecer os solos.
As queimadas também destroem a vegetação e por consequência o meio ambiente. Este facto que é a razão das mudanças climáticas que resultam em muitos problemas para a natureza, incluindo a falta de chuva.
Por estas e outras razões, Maria da Luz Guebuza apelou a um trabalho aturado do Governo, em estreita colaboração com os líderes comunitários, para se acabar com estes hábitos que atentam contra a existência da própria natureza.
Entretanto, Sérgio Rui Meza, director de Planificação e Infra-Estruturas em Metarica, confirmou, entrevistado pela AIM, que na maioria dos casos as queimadas descontroladas resultam da caça do “rato caniço”, embora existam casos de limpeza de solos e de fogo posto.
Para contrapor esta prática, as autoridades de Metarica têm trabalhado com líderes comunitários que, por sua vez, têm a tarefa de transmitir, às comunidades, a mensagem do ‘não às queimadas’.
No âmbito desta iniciativa, o Governo está a ministrar cursos de capacitação dos líderes comunitários ao nível dos postos administrativos e localidades, tendo já sido realizados dois cursos.
“Maior parte dos líderes começaram a compreender as razões da prática das queimadas, mas existem outros que não aderem ao banimento desta prática”, disse Meza.
Quanto à iniciativa “um líder uma floresta”, Meza disse que já foram criadas 33 florestas comunitárias, incluindo pomares, facto apontado pelas autoridades como sendo positivo e que vai ajudar na reposição de parte das plantas destruídas e na produção de fruta.
Os distritos de Niassa que mais sofrem os efeitos das queimadas descontroladas derivadas de hábitos culturais são os de Metarica, Cuamba e Nipepe.

















