O facto foi revelado a nossa fonte pela administradora do distrito, Cristina Mafumo, tendo apontado que está em curso um trabalho de sensibilização dos esposos para que deixem as suas esposas aderir às várias iniciativas e programas de tratamento da doença.
“Se o marido não quer, nenhuma das esposas pode fazer o teste contra a sua vontade. Portanto, como ele não aceita, a esposa nunca fará o teste ou cumprirá o tratamento contra a sua vontade. Por essa razão, fica difícil controlar a situação da pandemia no nosso distrito” – apontou Cristina Mafumo.
Em tempos, Magude foi referenciado como sendo um dos distritos mais críticos em termos da prevalência do HIV/SIDA. Actualmente, segundo a administradora, o distrito pode não ser o primeiro a nível da província, mas é um dos segundos com mais casos de HIV/SIDA.

“A situação não está boa e isso é visível a olho nu. Trabalhamos com as comunidades, mas a questão fundamental está relacionada com o facto de grande parte da população emigrar para a África do Sul, país tido como celeiro da doença. Quando voltam a Magude, e guiados pelo hábito, casam novas esposas. A prática aqui diz que quanto maior número de esposas tiver, mais homem se acha. Então, sempre que chegam tem cinco ou seis esposas e nenhuma delas pode exigir que o marido use o preservativo ou vá fazer o teste antes de se relacionar com ele. Elas ainda não têm essa capacidade. Por essa razão, não tem como se defender de uma eventual contaminação porque o homem impõe que as coisas têm de acontecer do seu jeito e ele, de uma só vez, contamina as quatro/cinco/seis esposas que tem” – disse a nossa fonte.
Cristina Mafumo apontou ainda que os poucos que fazem o teste acabam descobrindo que estão infectados, mas não acreditam na existência da doença. A existência desta doença ainda é um mito em Magude, onde as pessoas acreditam mais na feitiçaria.
“Os casos que estamos a gerir actualmente são mais de pancadaria por feitiçaria do que SIDA. Os casos de HIV são visíveis nas pessoas mas, mesmo assim, não acreditam e acusam-se de feitiçaria e grande parte das vezes é entre família. É possível ver as pessoas infectadas, através do seu estado de saúde, mas mesmo assim não acreditam que estão doentes. Para eles a doença é provocada pela feitiçaria” – lamentou Mafumo.
Ao que sublinhou, é triste saber que é possível nascer crianças sem o vírus mas, devido a questões de mito, o distrito está em primeiro lugar no registo de casos de nascimento de crianças doentes, tudo porque as mães não aderem ao tratamento. Esta situação é tida como uma das questões que está a promover ainda mais os casos de acusação de feitiçaria, pois no lugar de se levarem as crianças ao hospital, recorre-se aos curandeiros.
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