Circular de Maputo
A construção da Circular de Maputo, que inclui uma estrada que ligará a capital moçambicana ao bairro da Costa do Sol, e, deste ponto, ao distrito de Marracuene, “não parece bom projecto”, considera o coordenador da ONU-Habitat. Recentemente, o Governo moçambicano e o Exim Bank da China assinaram um acordo no valor de 222 milhões de euros para melhorar a circulação e ligação da capital com os arredores, um projecto conhecido como Circular de Maputo.

A edificação da infra-estrutura rodoviária prevê a construção de raiz de 52 quilómetros de estrada, reabilitação de outros 22 quilómetros e terá duas faixas de rodagem em cada sentido.

Com cerca de seis quilómetros, o primeiro troço da via vai corresponder à ligação da cidade à zona da Costa do Sol, substituindo a actual avenida da Marginal.

Questionado, ontem, pela “Lusa” sobre o impacto da construção daquela via, o coordenador do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) em Moçambique, Silva Magaia, alertou para o risco de ocorrência de desastres naturais naquela região.

“À primeira vista, não nos parece ser uma boa opção fazer a estrada passar justamente onde está, hoje, a linha da estrada da Marginal. Não nos parece bom projecto. Sabemos que há previsões de que haja, nos próximos 30 ou 50 anos, a subida do nível das águas do mar”, disse Silva Magaia.

Para o arquitecto, se se associar este aumento dos níveis das águas do mar à maior frequência dos desastres naturais como, por exemplo, ciclones, maremotos, que causem tsunami, então está a construir-se “uma infra-estrutura muito cara e muito importante numa zona muito exposta e isso é contrário aos princípios de resiliência”.