Empresários ameaçam retirar depósitos dos bancos nacionais

Empresários ameaçam retirar depósitos dos bancos nacionais

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Os empresários estão indignados com o facto de não poderem recuperar o dinheiro que depositaram no Nosso Banco, encerrado a dias por apresentar graves problemas financeiros, segundo o Banco de Moçambique.

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Rogério Manuel, que falava ontem a jornalistas, na cidade de Maputo, disse haver a possibilidade de os empresários retirarem os depósitos que efectuaram nos outros bancos nacionais, devido à falta de confiança em instituições de crédito que operam no país, situação que, caso aconteça, poderá desestabilizar ainda mais a economia de Moçambique.

As empresas vão decidir o que é que vão fazer. Se é para desincentivar as empresas a fazer depósitos nos bancos comerciais nacionais, isso vai acontecer, porque ninguém vai querer fazer depósitos em bancos nacionais para, dia seguinte, acordar e perceber que já não tem dinheiro”, adianta Rogério Manuel.

O presidente da CTA informa, ainda, que os empresários nacionais estão a ser muito prejudicados com o encerramento do Nosso Banco e problemas financeiros do Moza Banco. Como consequência, há registos diários de empresas que fecham portas. Manuel não avançou nomes, nem o número de firmas, mas revela que as mais afectadas são Pequenas e Médias Empresas (PME).

A direcção da CTA vai reunir, próxima semana, com o governador do Banco Central, Rogério Zandamela, para esclarecimentos. Os empresários sentem-se traídos pelo Banco de Moçambique, que durante dez anos não revelou os problemas da banca.

As empresas estão a ser prejudicadas, mas temos um regulador chamado Banco de Moçambique. Ao longo de 10 anos, os bancos comerciais projectaram lucros que de alguma forma incentivaram as empresas a fazer depósitos nesses bancos comerciais e, em um ano, esses bancos foram à falência. Simplesmente, os individuais é que vão ter retornos de 20 mil meticais e as empresas não terão nem um metical de retorno daquilo que depositaram nesses bancos”, lamenta o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique.

Os empresários receiam que mais bancos caiam na falência e até dão exemplos. “Se formos a olhar para aquilo que é o índice que fez com que o Nosso Banco fosse à falência, tem um que é UBA (United Bank for Africa Moçambique SA), que está mais ou menos ao nível do Nosso Banco, com uma diferença de 1% ou 2%. Pode ser o próximo, como outros que estão na praça que podem ser os próximos, daí que há uma insegurança total”, prevê.

A CTA é uma organização económica não-governamental, criada em Abril de 1999. Actualmente, congrega 128 membros, entre federações sectoriais, câmaras de comércio e associações económicas de todo o país.

O País

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